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Crônica

Amor é amor

O inexplicável esforço de muitos para ferir outros tantos que só querem ser felizes nessa vida. Num mar de chorume todos têm opiniões, todos acham muitas coisas, todos ganham likes e likes são atestados de poder. Quando escuto, leio e vejo qualquer coisa que remeta a esse esforço do mal, tão cheia de likes, tenho certeza de que os Ursinhos Carinhosos falharam com minha geração ao ensinar que amor é amor, pois parece que o Coração Gelado venceu.

Porque é do mal. Quem se esforça para marginalizar, oprimir, desdenhar, troçar, ferir e o escambau, é sim muito mau. Todo desenho animado, por mais simplório que fosse, demarcava bastante bem a linha entre quem era bom e quem era mau. A mensagem é simples: seja bom, queira o bem, faça o bem. E não há nada bom ao deslegitimar uma pessoa, diminuir alguém pela forma como ela faz sexo ou com quem ela faz sexo.

Achei que “sexo é para reprodução, gays não reproduzem” era fala para holofotes, para pastores midiáticos. Só que ouvi isso de gente próxima, experimentada no sexo com camisinha. Logo, qual é o objetivo? Oras.

Sexo para reprodução?

Sexo não é feito só para reprodução, não preciso dizer. Pergunte aos golfinhos, aos bonobos. Ou, para facilitar as coisas, vá ali e pergunte para sua mãe. E se por acaso ficar ofendido com a sugestão — tão idiota dessexualizar mulheres, mães, Maria de Nazaré —, pode pensar aí com os seus botões. Quantos bilhões, trilhões de seus espermatozoides foram gastos em vão, dentro ou fora de úteros? Desespere-se. Ou então: será que existe uma seita secreta que conta todas as menstruações, desde a menarca? Coitada, a primeira que chega, sem avisar, e fica ali, desperdiçada em uma calcinha, quem sabe com alguns dos Ursinhos Carinhosos estampados. Uma seita que conte todas as ovulações desperdiçadas para o banco de dados divino. Lá se vai mais uma chance de reprodução. Tenham dó.

Podemos e devemos ser melhores. Sejamos melhores, já que amor é amor.

Tags : crônicahomossexualidadepreconceitorelacionamentosreproduçãosexovida em sociedade

The author Marcos Marciano

Marcos Marciano é um ser humano amador. Formou-se em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, lê livros por esporte e escreve por falta de vergonha na cara. Ainda não sabe por que a Débora resolveu se casar com ele.