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Reflexão

Baby steps: o que são e por que você deveria adotar agora essa forma de agir

Estou escrevendo este texto para ver se eu também entendo de uma vez por todas, acolho essa ideia e transformo em prática os baby steps. Converso com vocês enquanto também estou falando comigo. Venho tentando caminhar com mais vagar, porém com mais constância. Vez ou outra me esqueço disso e incorro no erro de querer fazer tudo de uma vez, o que acaba produzindo ciclos de ânimo versus desânimo em minha vida.

O que são baby steps?

Baby steps é um termo em inglês que basicamente quer dizer passos de bebê. Bem simples a ideia. Refere-se a fazer as coisas, quaisquer que sejam, devagar, com calma, passo a passo. Às vezes um passo desajeitado após o outro, até que se ganhe a confiança para caminhar com mais desenvoltura. Bonitinho, né? Até o final do texto espero que você ache essa ideia ainda mais legal.

Por que precisamos falar de baby steps?

Porque vivemos em um mundo em que a ideia de sucesso está atrelada às noções de correria, produção e esgotamento.

Existe uma frase — que eu acho horrível, por sinal, massacrante — que os coaches motivacionais (argh!) usam muito. Provavelmente você a conhece, é essa aqui, ó:

Estude enquanto eles dormem.
Trabalhe enquanto eles se divertem.
Lute enquanto eles descansam.
Depois viva o que eles sempre sonharam.

Aí depois vi essa frase reescrita e bateu aquele alívio de perceber que alguma pessoa pensou de forma mais alinhada comigo:

Estude enquanto eles dormem. puder
Trabalhe enquanto eles se divertem. necessário
Lute enquanto eles descansam. Viva, porque a vida não é uma guerra
Depois viva o que eles sempre sonharam. você planejou

Implícita na primeira frase está a ideia de que você precisa se esforçar absurdamente e desrespeitar seus limites físicos e emocionais enquanto os outros não fazem nada “útil”. Ou seja, você precisa se sacrificar. Isso tudo para que você tenha uma vida melhor do que a deles, enquanto eles ficam só no plano do querer. Digo mais: também está embutida nessa citação o pensamento de comparação. Algo como: “se eu me esforçar, vou ter uma vida melhor do que a dos outros“. TÁ ERRADO!!! Vamos trocar para um pensamento saudável?

“Se eu me esforçar com parcimônia vou ter uma vida melhor do que a que EU tenho hoje“.

Meu dever de casa para você: repita isso até acreditar. E esqueça os outros! A vida dos outros não é da nossa conta. E a nossa não é da conta deles. Sucesso para você é uma coisa, para mim é outra, para o meu marido é uma terceira coisa. Qual tal respeitarmos as nossas próprias definições?

Vemos as coisas de um jeito impossível porque falta referencial

Eu conto muito essa história para as pessoas porque acho bastante ilustrativa. Quando eu estava na faculdade, pensava que queria um consultório cheio, com casos interessantes para atender e sustentável financeiramente. Pois toda vez que eu pensava nisso logo vinha um “impossível, claro que eu não vou conseguir” na cabeça. Sabe por quê? Eu dava um salto que não existia: entre o pensar em um consultório cheio e ter o consultório cheio eu não descrevia o passo a passo. Parecia que eu teria que fazer a coisa de uma vez só. Pensamento não materializa coisas ou situações, mas pode materializar planos para que se consigam as coisas ou situações.

Depois eu aprendi, ainda bem: “Vou pensar nisso como uma escada. Então quais são os degraus?”. Aluguei hora avulsa para atender clientes “pingados”. Aluguei bloco de horas para atender mais pessoas. Enquanto isso, eu tinha um trabalho de carteira assinada de 40h semanais para sustentar o básico. Percebi que a demanda no consultório estava aumentando, consegui um trabalho de carteira assinada de 30h semanais. Aluguei uma sala e dividia com uma amiga. Depois, fiquei por conta do meu trabalho como autônoma. Passei a usar a sala sozinha e minha amiga alugou uma para ela também. Passo a passo, viu? Entre o primeiro e o último passo até que eu ficasse por conta exclusivamente do meu consultório foram 5 anos. Ou seja, as coisas não aconteceram como eu queria quando eu pisei fora da faculdade com o diploma na mão.

Assim, a situação em que estou hoje tem que ser referencial para a próxima que eu quero criar. Se o referencial for só o último degrau da sua escada, vai parecer alto demais, longe demais, esforço demais e você provavelmente vai desistir e passar um bom tempo sentindo culpa por não sair do lugar.

Importante também: o meu passo a passo na Psicologia pode ser muito diferente do de outra pessoa. Por exemplo, eu morava e trabalhava no centro da cidade. Horas que eu deixava de gastar andando de ônibus porque andava a pé eu usava para atender pessoas após o expediente do trabalho fixo. Vamos pensar em uma pessoa que mora muito longe: talvez ela não pudesse fazer da forma como eu fiz. Com isso eu quero dizer o seguinte, de novo: vamos parar de nos comparar com os outros?

Dividir para conquistar e celebrar pequenas vitórias

Os baby steps são sobre isso: dividir para conquistar, ao mesmo tempo em que celebramos as pequenas vitórias. Acima, dei o exemplo de ter dividido quais eram os passos para que eu facilitasse minha chegada no ponto que naquela época era o topo da minha escada: trabalhar somente com o meu consultório de uma forma sustentável para mim.

Sugiro que você sempre se trate com esse carinho de identificar aos poucos o que você quer e seguir planejando as ações que vão te levar para mais perto dos seus objetivos. Lembrando que não tem problema em mudar o caminho se ao percorrê-lo você encontra motivos para tanto.

Um efeito maravilhoso de dividir os esforços em passos é que ao conseguir concluí-los, recebemos um impulso de satisfação que se propaga. O bem-estar produzido pela conclusão de um passo se torna contexto para termos motivação para o próximo passo. Um belo e saudável círculo virtuoso.

“A direção é mais importante do que a velocidade”

Já diria o autor Edson Marques em seu poema “Mude”. Uma grande amiga me conta que sempre repete essa frase para si mesma. O bom é que quando ela me fala disso, me lembra que também preciso encaminhar meus esforços para a direção e não para a velocidade.

Eu já disse isso em outra ocasião, mas é o tipo de coisa que penso que sempre vale a pena repetir: você deveria se tratar com a mesma paciência que teria ao tratar um amigo ou familiar querido que está enfrentando dificuldades. Você não acha razoável que essa pessoa divida o que precisa fazer e vá se engajando em cada etapa? Faça isso também!

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Débora Lopes

The author Débora Lopes

A profissão oficial é psicóloga, mas faz um monte de coisas. Devoradora de livros, maratonista de seriados, mãe de cachorro... Débora é uma jovem idosa que jamais recusa um café com os amigos. Ama viajar, especialmente para lugares frios.