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Reflexão

Que mundo barulhento e cansativo!

Hoje resolvi falar sobre uma coisa que venho pensando: a minha sensação de o mundo ser barulhento, cansativo e parecer que há muita gente falando e querendo a minha atenção. Você também já sentiu isso?

O surgimento do incômodo

Um dos gatilhos para pensar sobre esse assunto foi justamente programar o conteúdo que eu iria postar no Instagram do meu consultório de Psicologia. Eu ficava incomodada, sempre pensando que estava fazendo menos do que deveria quando comparava com a atuação de outros psicólogos na rede social, mas quando pensava em mim mesma, a sensação era a de que eu estava dando o meu máximo. E aí ficou aquela pergunta me perseguindo: por que eu me sinto assim?

Foi a partir dessa pergunta que outras se abriram e me ajudaram a entender que o que me incomodava era essa sensação de barulho e cansaço vinda do meu próprio uso da rede social. Perguntas como:

  • Por que eu não gravo stories como outros psicólogos fazem?
  • Por que eu não assisto aos stories da maioria das pessoas?
  • Mas por que eu gosto de fazer o conteúdo do feed, em contrapartida?

Foi me fazendo essas perguntas que eu entendi que não gosto de gravar stories porque não gosto de assisti-los. E não gosto de assisti-los porque fico com essa sensação de muita gente falando ao mesmo tempo e que na maioria das vezes são assuntos que eu não estou buscando. Simplesmente, estão lá. É o que as pessoas querem falar. Mas eu quero ouvir? Na maioria das vezes, não!

Eu fico pensando que por ser psicóloga e por trabalhar o dia inteiro com escuta, ou seja, o meu dia de trabalho consistir em voltar a minha atenção totalmente para outra pessoa, tudo o que eu quero quando encerro o expediente é ficar comigo mesma. Eu quero um pouquinho de tempo para ouvir os meus próprios pensamentos.

Como agimos e como podemos passar a agir com tanto barulho

Pensando nessas coisas, vi que no tempo que eu realmente passo dentro do Instagram sou interrompida muitas vezes por propagandas. Outro dia eu me propus a observar e a fazer as contas: na média, a cada 4 posts das pessoas que eu sigo, aparecia uma propaganda. Isso é coisa demais! E como gosto de mexer com conteúdo online e gosto de aprender, aparecem muitas propagandas de cursos no feed, em um volume que eu jamais seria capaz de conseguir fazer.

Isso me faz entender melhor quando meus clientes de terapia me falam que estão se sentindo muito sobrecarregados, que se comparam com outras pessoas e acham que elas estão fazendo muito mais do que eles. Temos que tomar cuidado. Isso é só o barulho do mundo, esse jeito cansativo que estamos criando de nos comunicar. Na verdade, eu acho que a gente tem criado muitos espaços para falar, mas temos estimulado pouco a ideia de ouvir.

Por isso eu sugiro que você seja seletivo no que vai assistir, no conteúdo que vai consumir. Sugiro que você faça uma “limpa” no seu Instagram, nas suas outras redes sociais e passe a seguir perfis que te fazem se sentir bem, que te trazem energia, que te deem vontade de fazer as coisas porque você se interessa por elas e não porque você tem que correr e fugir da sensação ruim de “não ser produtivo” ou de estar “fazendo menos do que os outros”.

Reflexões em meio ao mundo barulhento

Pensa o seguinte: se eu abrir a tela inicial da minha pós-graduação, postar nos stories e colocar uma figurinha falando “produtividade” ou qualquer coisa do tipo, tenho certeza que muita gente vai ver isso e vai pensar “nossa, a Débora faz tanta coisa! E eu aqui parada”. Mas olha só: eu posso muito bem postar isso, desligar o computador e passar o dia inteiro fazendo nada. Eu teria criado uma impressão em você de que eu sou produtiva com um esforço de menos de 1 minuto dentro de um dia de 24 horas.

As pessoas não têm acesso às 24 horas do dia de ninguém. Isso quer dizer que qualquer comparação com os outros é falha. Falha e extremamente injusta com você!

Eu venho entendendo que se acho o mundo barulhento e cansativo, preciso fazer o meu esforço pessoal de criar um espaço que reduz esse barulho e esse cansaço. Reflita: você não tem que estar por dentro de tudo. Você não tem que fazer as mesmas coisas que as outras pessoas estão fazendo. Você não tem que nada!

A equação que fechou bem para mim, para correr do barulho que as pessoas fazem, do mundo que faz e exige que a gente escute, foi a seguinte: eu vou fazer o que eu preciso — pois é — , porque a gente nunca consegue correr do que é obrigação, né? Mas tirando as obrigações, eu vou fazer o que me diverte.

Tags : autocuidadoinstagramprodutividadepsicologiaredes sociaisreflexãorelacionamentosvida em sociedade

The author Débora Lopes

A profissão oficial é psicóloga, mas faz um monte de coisas. Devoradora de livros, maratonista de seriados, mãe de cachorro... Débora é uma jovem idosa que jamais recusa um café com os amigos. Ama viajar, especialmente para lugares frios.