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Reflexão

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Que mundo barulhento e cansativo!

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Hoje resolvi falar sobre uma coisa que venho pensando: a minha sensação de o mundo ser barulhento, cansativo e parecer que há muita gente falando e querendo a minha atenção. Você também já sentiu isso?

O surgimento do incômodo

Um dos gatilhos para pensar sobre esse assunto foi justamente programar o conteúdo que eu iria postar no Instagram do meu consultório de Psicologia. Eu ficava incomodada, sempre pensando que estava fazendo menos do que deveria quando comparava com a atuação de outros psicólogos na rede social, mas quando pensava em mim mesma, a sensação era a de que eu estava dando o meu máximo. E aí ficou aquela pergunta me perseguindo: por que eu me sinto assim?

Foi a partir dessa pergunta que outras se abriram e me ajudaram a entender que o que me incomodava era essa sensação de barulho e cansaço vinda do meu próprio uso da rede social. Perguntas como:

  • Por que eu não gravo stories como outros psicólogos fazem?
  • Por que eu não assisto aos stories da maioria das pessoas?
  • Mas por que eu gosto de fazer o conteúdo do feed, em contrapartida?

Foi me fazendo essas perguntas que eu entendi que não gosto de gravar stories porque não gosto de assisti-los. E não gosto de assisti-los porque fico com essa sensação de muita gente falando ao mesmo tempo e que na maioria das vezes são assuntos que eu não estou buscando. Simplesmente, estão lá. É o que as pessoas querem falar. Mas eu quero ouvir? Na maioria das vezes, não!

Eu fico pensando que por ser psicóloga e por trabalhar o dia inteiro com escuta, ou seja, o meu dia de trabalho consistir em voltar a minha atenção totalmente para outra pessoa, tudo o que eu quero quando encerro o expediente é ficar comigo mesma. Eu quero um pouquinho de tempo para ouvir os meus próprios pensamentos.

Como agimos e como podemos passar a agir com tanto barulho

Pensando nessas coisas, vi que no tempo que eu realmente passo dentro do Instagram sou interrompida muitas vezes por propagandas. Outro dia eu me propus a observar e a fazer as contas: na média, a cada 4 posts das pessoas que eu sigo, aparecia uma propaganda. Isso é coisa demais! E como gosto de mexer com conteúdo online e gosto de aprender, aparecem muitas propagandas de cursos no feed, em um volume que eu jamais seria capaz de conseguir fazer.

Isso me faz entender melhor quando meus clientes de terapia me falam que estão se sentindo muito sobrecarregados, que se comparam com outras pessoas e acham que elas estão fazendo muito mais do que eles. Temos que tomar cuidado. Isso é só o barulho do mundo, esse jeito cansativo que estamos criando de nos comunicar. Na verdade, eu acho que a gente tem criado muitos espaços para falar, mas temos estimulado pouco a ideia de ouvir.

Por isso eu sugiro que você seja seletivo no que vai assistir, no conteúdo que vai consumir. Sugiro que você faça uma “limpa” no seu Instagram, nas suas outras redes sociais e passe a seguir perfis que te fazem se sentir bem, que te trazem energia, que te deem vontade de fazer as coisas porque você se interessa por elas e não porque você tem que correr e fugir da sensação ruim de “não ser produtivo” ou de estar “fazendo menos do que os outros”.

Reflexões em meio ao mundo barulhento

Pensa o seguinte: se eu abrir a tela inicial da minha pós-graduação, postar nos stories e colocar uma figurinha falando “produtividade” ou qualquer coisa do tipo, tenho certeza que muita gente vai ver isso e vai pensar “nossa, a Débora faz tanta coisa! E eu aqui parada”. Mas olha só: eu posso muito bem postar isso, desligar o computador e passar o dia inteiro fazendo nada. Eu teria criado uma impressão em você de que eu sou produtiva com um esforço de menos de 1 minuto dentro de um dia de 24 horas.

As pessoas não têm acesso às 24 horas do dia de ninguém. Isso quer dizer que qualquer comparação com os outros é falha. Falha e extremamente injusta com você!

Eu venho entendendo que se acho o mundo barulhento e cansativo, preciso fazer o meu esforço pessoal de criar um espaço que reduz esse barulho e esse cansaço. Reflita: você não tem que estar por dentro de tudo. Você não tem que fazer as mesmas coisas que as outras pessoas estão fazendo. Você não tem que nada!

A equação que fechou bem para mim, para correr do barulho que as pessoas fazem, do mundo que faz e exige que a gente escute, foi a seguinte: eu vou fazer o que eu preciso — pois é — , porque a gente nunca consegue correr do que é obrigação, né? Mas tirando as obrigações, eu vou fazer o que me diverte.

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Reflexão

Sobre sapatos apertados

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Vamos fazer um pequeno teste para começar. Vou te passar dois cenários e aí você pensa direitinho em qual se encaixa, ok?

Cenário 1: normalmente, você passa um bom tempo se perguntando por que fez as coisas desse jeito, ou afirmando para si mesmo que deveria ter feito de outra forma, acreditando que escolheu errado. Fica muito incomodado com o que passou, com como você agiu, com o que você falou. Seu sentimento é de que se fosse possível ficar voltando no tempo para “consertar” tudo, você o faria.

Cenário 2: com frequência você se pega pensando em como serão as coisas, se vai dar tudo certo, o que pode dar errado, como você pode se programar para a vida, para o trabalho, para a sua viagem. Mesmo coisas boas que vão acontecer pela frente lhe geram um desconforto, uma incerteza muito grande, porque você simplesmente não pode saber se vai sair tudo bem mesmo.

E aí, queridos? Se me disserem que nenhuma das duas fôrmas têm o seu tamanho, parabéns! Enquanto eu ainda não falo sobre um terceiro cenário, o famigerado “caminho do meio”, vamos conversar um pouquinho mais sobre o 1 e o 2.

Cenários ansiosos

No primeiro cenário, temos uma pessoa muito voltada para o passado. Nunca está satisfeita, porque sempre acha que poderia ter feito melhor. É alguém que pode se ver com um filtro negativo de que sempre pisa na bola. Se você sempre enfia o pé na jaca, qual a diferença que fazer uma escolha pode trazer? Por que não jogar uma moeda e decidir no cara ou coroa, já que você vai escolher errado de toda maneira?

No segundo cenário, podemos identificar uma pessoa voltada para o futuro. Essa é a pessoa que não acredita que as coisas podem dar certo sem tantos percalços. Precisa se precaver para cada pequeno item da lista de “coisas que podem dar errado”. Está preocupada se vai agradar, se vai chegar a tempo, se receberá uma crítica. Se a preocupação vai continuar muito incômoda. Pra que se preparar então? Não é mais fácil simplesmente chegar lá e fazer o que dá?

As duas situações têm em comum uma coisa: o tempo deslocado. Ou para frente, ou para trás. Nenhuma dessas pessoas estão pisando no aqui e agora. Outro ponto que os contextos têm em comum: geram muita ansiedade. Ansiedade, como todos os fenômenos psicológicos, é multifatorial. Nessa postagem vou tentar me ater somente à relação com a questão do tempo. Ou é uma ansiedade voltada às possíveis consequências de ações passadas ou é relacionada a como será passar pela situação imaginada num futuro próximo ou distante. Os dois cenários acabam sendo contraproducentes e indo na contramão de uma vida tranquila.

O que de melhor podemos tirar de cada um dos contextos anteriores para criar uma nova possibilidade?

– Com o passado podemos aprender o que deu e o que não deu certo, fazer uma análise, sermos críticos e assim podemos projetar coisas melhores e focar em não repetir aquilo que entendemos que não funcionou bem;

– Com o futuro podemos aprender a preparar a melhor versão do que quer que estejamos fazendo, porém, tomando o cuidado de ir até o limite de uma preparação saudável em vez de ser uma corrida rumo ao perfeccionismo.

Cenário do aqui e agora

Comentei com vocês que falaria sobre um terceiro cenário, o que está entre os dois primeiros. É simples: o presente. Quantas vezes você come realmente sentindo a textura e o sabor dos alimentos? Você caminha pela cidade prestando atenção nas pessoas ao seu redor, nas ruas que você está escolhendo? Quando conversa com alguém, você o faz escutando a outra pessoa ou pensando no que irá dizer quando ela terminar de falar? Você aproveita todos os preparativos de uma festa ou de uma viagem ou fica apavorado pensando só na hora em que de fato essas coisas irão acontecer?

Estar no presente não deveria ser ficar incomodado com o sapato apertado esperando e desejando a hora em que você poderá calçar os chinelos em casa. Estar no presente deve ser viver com sapatos confortáveis que você soube escolher. Vamos esmiuçar alguns fatores para “escolher um bom par de calçados”:

  • Conhecer o seu número;
  • Conhecer as variáveis que podem alterar seu número (fôrma grande ou pequena de acordo com marcas específicas; calçar durante a manhã, quando os pés ainda não estão inchados, pode fazer com que você compre algo menor do que deveria, etc.);
  • Conhecer o formato dos seus pés (se são achatados, finos) para evitar que fiquem “pegando” ou saindo de acordo com o formato do calçado;
  • Poder experimentá-los em um horário em que você estará disponível para realmente escolher seu par de sapatos.

Estar presente

Você viu ali em cima que é importante estar presente na hora de escolher seus sapatos? Estar presente naquele momento evita problemas futuros, como um longo dia de trabalho cansativo somado à dor nos pés. E problemas no passado também, afinal você não vai ficar remoendo a sua falta de habilidade para escolher um bom par de calçados e reclamando consigo mesmo que jogou dinheiro fora. Uma coisa que talvez você não tenha percebido, mas que influencia MUITO a capacidade de viver no presente é o autoconhecimento. Olhe na lista ali de cima quantos itens tem a ver com saber algumas informações sobre si mesmo: seu número, se seus pés incham no final do dia, saber o horário dentro da sua rotina que você tem disponível para fazer uma compra tranquila, e por aí vai.

Na vida é assim também! Quando você realmente conhece as suas habilidades, capacidades e até mesmo limitações, as coisas se tornam mais fáceis e fluidas. Perguntar-se sobre realmente ter se saído bem na apresentação na faculdade deixa de ser importante quando você entende que é, sim, um bom orador, ou que não, você faz apresentações regulares mesmo, e aí é trabalhar mais nas próximas – guarde isso: nas próximas apresentações. Não na que passou, porque ela já passou! – para que saiam melhores. Deixa de ser importante ficar aflito e apavorado porque seu chefe te chamou para conversar mais tarde, porque você já conhece suas qualidades profissionais e as necessidades de melhoria – e já está trabalhando nelas!

Assim, para viver o presente, é necessário estar em paz com o que aconteceu e esperançoso com o que está por vir. É “pisar” no aqui e agora, estar presente. É se conhecer e confiar em si! Recomendo que todo mundo tente agir assim!

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Protagonismo em sua vida

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Seres humanos são seres sociais por excelência. Mesmo quem gosta muito de ficar sozinho vez ou outra sente falta do contato com outras pessoas. Precisamos uns dos outros. Não conseguimos fazer muita coisa se estivermos absolutamente sozinhos-no-meio-do-nada.

Para viver bem em sociedade, precisamos nos comunicar. Precisamos falar o que queremos, o que precisamos, o que gostamos, o que não gostamos e por aí vai.

Morreu de quê?

— Sufocou-se com as palavras que nunca disse.

Vejo com bastante frequência pessoas que inferem o que o outro está pensando. Geralmente, essas inferências são negativas, como: “acho que ele não gosta de mim”; “acho que ela ficou chateada com o que eu fiz”; “acho que eles não querem que eu vá à festa”; “acho que pensam que eu sou chata”. Somos péssimos leitores de mentes, afinal, ninguém se provou — ainda — ser um tipo de X-men especializado em clarividência. Por isso, a única forma de tentarmos saber o que o outro está pensando é… perguntando para ele! Claro que essa pessoa pode sentir vergonha ou não querer compartilhar, e isso pode levá-la a mentir. Mas aí já é problema dela!

Cada vez mais acredito que pessoas assertivas têm mais condições de serem felizes. Você sabe o que é assertividade? De acordo com o dicionário online Priberam, é

Qualidade do que é assertivo.

E ser assertivo, ainda de acordo com o Priberam é

1. Que tem caráter de asserção; 2. Que declara ou afirma algo.

Assim, podemos entender que ser assertivo é falar o que é necessário, o que você pensa. Mas cuidado! Não confunda assertividade com agressividade! Na agressividade você pode até falar o que pensa, mas o tom que você utiliza pode distorcer o que você quer dizer e provavelmente irá erguer as barreiras de defesa da outra pessoa, que irá se proteger do ataque ou contra-atacar. Assim, a comunicação se torna falha mais uma vez, não pela falta, mas pelo excesso.

Na minha opinião, a assertividade anda de mãos dadas com a comunicação saudável. Acredito que a assertividade seja um dos principais ingredientes para sermos pessoas coerentes. Já imaginou como o mundo pode ser melhor se as pessoas forem honestas umas com as outras em vez de ficarem inventando desculpas? Ou em vez de ficarem inventando ou tentando adivinhar o que estão pensando dela? Já imaginou um mundo incrível em que você pode ser feliz e fazer o que quiser — sempre que for possível! — porque você é um comunicador eficiente?

Imagine a vida assim: quando não quiser ir a algum lugar, não vá. Quando quiser, vá. Quando quiser fazer alguma coisa, faça. Quando não quiser, não faça. Se alguém te magoar, procure a pessoa para conversar sobre isso. Se pensar que magoou alguém, procure a pessoa para confirmar a sua inferência, pedir desculpas e saber como ela está. Se alguém fizer algo bacana para você, não tenha vergonha de agradecer e mostrar para ele/ela o quanto te fez feliz. Agir assim é libertador e fortalece as relações humanas.

Quando estou no consultório ajudando meus clientes a construírem uma comunicação mais assertiva, vejo o quanto isso é difícil de ser galgado na prática. Em comportamento humano nós usamos a palavra repertório. Repertório é aquilo que nós temos guardadinho em nós, é o que nós sabemos e/ou dominamos, em qualquer área que seja. Quem não tem repertório de comunicação assertiva precisa construir um. A pessoa precisa lutar contra várias amarras sociais até chegar ao final dessa escada. Medo de ser julgada, receio de não ser mais benquista no grupo, tudo geralmente gira em torno da aceitação dos outros. Agindo assim você fica em segundo plano dentro da sua própria vida. Já pensou sobre isso?

Em resumo, esse texto é uma tentativa de te mostrar que:

  • Você pode pedir ao garçom para trocar a sua pizza que veio com cabelo;
  • Você pode dizer ao seu amigo que você ficou chateado com o que ele fez;
  • Você pode falar que não vai dar pra ir no aniversário do chefe chato — e nem tem obrigação de ficar especificando os motivos;
  • Você pode procurar seus amigos quando estiver triste e precisar desabafar;
  • Você pode procurar as pessoas que ama para celebrar seus momentos felizes e falar das suas conquistas.

Enfim. Muitos exemplos podem ser dados. Comunicar-se de forma assertiva não te faz ser “o chato” ou “a chata”. Pelo contrário. As pessoas — depois que se acostumarem com essa sua mudança! — terão em você a referência de alguém maduro, honesto consigo mesmo e com os outros. E para aqueles que não aguentarem esse “tranco”, sempre vale colocar a questão: essas pessoas realmente valem a pena ou estavam abusando da sua baixa capacidade de falar um “não”, por exemplo? Como psicóloga, não posso deixar de encerrar nossa conversa de hoje com perguntas provocadoras:

  • Você já conseguiu identificar sua posição: coadjuvante ou protagonista? Se os outros estão decidindo por você ou tolhendo suas opções, sinto informar que você é coadjuvante.
  • O que você pode fazer AGORA para fortalecer a posição de protagonista da sua vida? A dica do texto é aprimorar sua capacidade de comunicação.
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Todo mundo tem bagagem

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Eu adoro How I Met Your Mother! Além de ser divertido, conseguimos aprender algumas lições de vida importantes nesse seriado americano. Uma das minhas preferidas é sobre bagagem, tema sobre o qual iremos conversar hoje. Mas antes disso, uma breve descrição para quem não conhece a série: Ted Mosby, protagonista do show, conta para seus dois filhos a história de como conheceu a mãe deles. O relato é permeado pela relação de Ted com quatro amigos. Fique tranquilo que o texto não possui spoilers sobre o enredo!

Em um dos episódios, Ted fala sobre a “teoria da bagagem”, que basicamente diz que todas as pessoas têm histórias e são impactadas pelo que viveram. Esse impacto dos acontecimentos passados reverbera em como a pessoa vive hoje. Obviamente todo mundo tem bagagem, uma vez que todo mundo tem história. Ninguém escapa!

Como assim bagagem?

Para facilitar o entendimento de como se forma uma bagagem, vamos analisar uma situação fictícia: uma pessoa que foi traída por um namorado no passado pode agir de forma ciumenta com o namorado atual. O namorado atual pode reforçar os motivos para que a pessoa sinta ciúmes, agindo como alguém em quem de fato não se possa confiar. Outro cenário: o namorado atual é uma pessoa fiel ao compromisso que estabeleceu e não trai. Assim, ele não reforça a forma de agir da pessoa ciumenta. No entanto, essa pessoa está respondendo ao passado dela e não ao presente. Não importa como o namorado atual aja agora. É como se, na cabeça dela, ela estivesse se relacionando com uma referência ou resquício do namorado antigo.

Tudo o que vivemos nos torna quem somos: tudo vira bagagem. Algumas coisas deixam uma influência boa, outras geram as nossas feridas emocionais. Já a forma como nós lidamos com a nossa história determina o peso de cada mala. O que eu acho extremamente importante que você entenda é isso aqui:

Ter bagagem é diferente de entregar as suas malas para outra pessoa carregar.

Não é nada legal chegar na casa de alguém, jogar suas malas no chão e esperar que o outro organize e carregue tudo. A mesma coisa vale para a vida. Isto é, ao entrar na história de alguém, não sufoque a pessoa com os seus problemas. Não os entregue ao outro pensando que ele tem obrigação de resolver o seu passado. E, principalmente, não o responsabilize pelo que você passou. Cara. Ele nem estava lá quando a merda aconteceu! Mas se você quiser que ele esteja ao seu lado agora, seja uma pessoa legal.

Profecias nas malas

Se um dia alguém te abandonou — pai, mãe, namorado, amigo, papagaio, periquito —, não sufoque quem está com você agora exigindo provas de amor e de dedicação constantes. Não seja uma pessoa difícil só para conseguir provar para si mesmo que é capaz de ser amado. Tem um conceito interessante sobre isso que se chama profecia autorrealizadora.

Funciona assim:

  1. Você acredita em alguma coisa sobre si mesmo, por exemplo “eu não sou bom o suficiente para conseguir o que quero”.
  2. Por acreditar nisso, ao participar de um processo seletivo para uma vaga de emprego você vai com baixa autoconfiança e isso afeta o seu desempenho nas etapas do processo. Você não se expressa bem, não defende suas qualificações e não consegue vender uma boa imagem para o recrutador.
  3. Você realmente não consegue a vaga.
  4. Assim, você reforçou a ideia de que não é bom o suficiente.

Vejamos isso em formato de esquema com outros tipos de pensamento-base para a profecia autorrealizadora:

Como você pode perceber, é possível usar essa mesma lógica da profecia com vários assuntos diferentes. A profecia sempre tem a ver com a bagagem, essas frases são tiradas de dentro das malas que você carrega. Ted fala no episódio:

Everyone’s got some baggage; it’s part of life. But like anything else, it’s easier when someone gives you a hand with it.*

*Tradução livre: Todo mundo tem bagagem; é parte da vida. Mas como qualquer outra coisa, é mais fácil quando alguém te dá uma “mão” com isso.

Carregando a nossa

A dica é: identifique suas malas. Coloque uma etiqueta em cada uma delas. Saiba quais são as feridas emocionais que você carrega. Diminua o peso ao dividir compartilhar com os outros aquilo que você passou, mas sem os responsabilizar pela solução dos seus problemas. A maior lição que Ted nos ensina nesse episódio é que precisamos aprender a levar nossa história em harmonia com as histórias das outras pessoas com quem convivemos. Para tanto, é preciso respeito, compreensão e parceria de todos os envolvidos. Faça a sua parte!

Referência: caso você queira ver ou rever o episódio que fala sobre bagagens, é o S05E23 – The Wedding Bride.

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O inferno somos nós

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Uma vez eu li em algum lugar (eita memória boa!) que não deveríamos nos preocupar com o que os outros estão pensando de nós, porque eles estão ocupados demais imaginando o que nós estamos pensando deles. Dito isso, gostaria de compartilhar cinco observações que me fazem acreditar que o inferno não são os outros, somos nós.

1. Damos a nós mesmos uma importância muito grande

Essa é uma verdade inconveniente, mas ainda assim verdade. Se passamos uma parte do nosso tempo especulando sobre o que os outros estão pensando de nós, então aí está embutida uma afirmação: os outros estão pensando algo sobre nós. 

O que o faz acreditar que alguém está gastando o próprio tempo fazendo críticas a você? Em geral, não somos tão importantes assim. Eu costumo pensar o seguinte: se alguém tem algo a me dizer e tem intenção de me ajudar, a pessoa irá me dizer, e isso me desobriga de ficar especulando o que seria esse assunto; se alguém tem algo a me dizer e não tem intenção de ajudar (e, por isso, prefere falar pelas costas), essa pessoa não vale uma dor de cabeça minha, não vale especulações e não vale a minha preocupação em agradá-la.

2. O olhar dos outros nos incomoda. Ou seria o nosso próprio olhar?

Em algumas situações, projetamos no olhar dos outros os nossos próprios demônios e inseguranças. Observe esse raciocínio: se você está imaginando o que outra pessoa está pensando a seu respeito, você está criando hipóteses. Essas hipóteses estão partindo de você mesmo, logo, você está com medo de que outra pessoa pense a seu respeito o que você pensa sobre si. Fique com esse nó na cabeça por enquanto!

3. Damos à opinião dos outros uma importância muito grande

Esse tópico guarda íntima relação com o item 2 dessa lista. A opinião dos outros frequentemente vem para: a) reiterar o que pensamos de nós mesmos, ou para b) fortalecer ideias quando estamos inseguros a respeito delas.

a) Opinião dos outros para reiterar o que pensamos de nós mesmos:

Se eu acreditar que sou chata, qualquer opinião que eu imputar aos outros que demonstre que eu sou chata só vai reforçar essa ideia que eu tenho de mim mesma. Certo?

Outro viés relacionado à opinião dos outros como o reforço do que pensamos sobre nós mesmos é que muita gente deixa de fazer coisas com receio do que as outras pessoas irão dizer. “E se eu fracassar, o que vão pensar de mim?”; “Prefiro nem começar para não ter chance de errar perante as pessoas”. Ao pensar assim, você evita agir. Ao evitar agir, você reforça o pensamento que alimenta a sua insegurança. Sentir-se seguro em qualquer ambiente da vida requer prática, e prática só existe quando você se permite arriscar. Portanto, a única coisa que você consegue ao sentir medo da opinião dos outros e em função disso não levar a sua vida adiante é deixar de combater as suas inseguranças. Você ficaria preso para sempre, por isso precisa existir um ponto de ruptura.

b) Opinião dos outros para fortalecer ideias quando estamos inseguros a respeito delas:

Se você conseguir dosar, a opinião dos outros pode ser muito bem-vinda. Em momentos de dúvida sobre cortar ou não o cabelo, qual pedido vocês vão fazer no restaurante, qual o sabor da pizza que vocês vão pedir no delivery ou quando você tem diversas opções e gostaria de discutir as ideias com alguém em quem você confia. Seja para questões simples ou complexas, é possível ter benefício em ouvir alguém.

No entanto, quando você é uma pessoa muito insegura e recorre à opinião dos outros para tomar decisões ou para se certificar de que as decisões que você tomou foram boas, isso tem o potencial de te tornar dependente dos outros e de se ver “preso” tentando agradá-los para não os perder.

4. Somos resistentes às críticas

Raras são as pessoas que se sentem confortáveis quando estão sendo criticadas. A gente se sente meio nu quando tem um terceiro apontando nossas falhas. Em linguagem empresarial, arrumaram um nome bonito em inglês: feedback. Tem gente estudando muito esse assunto e propondo a maneira mais legal de dar um feedback, que geralmente é: mostrar o que a pessoa está acertando, reconhecer isso, apontar onde ela pode melhorar e estar ao lado nesse processo de desenvolvimento, acompanhando, reconhecendo os ganhos e dando apoio quando necessário. Feedback não é apontar falhas e destruir a pessoa que está ouvindo, é o reconhecimento do que está bom e desenvolvimento do que pode ser aprimorado.

Se formos mais sensíveis no momento de criticar uma pessoa – no âmbito pessoal ou profissional – as críticas podem passar a ser mais bem-vindas. Ao mesmo tempo, se formos mais abertos para receber as críticas, podemos fazer coisas legais para nós mesmos e nos relacionar melhor. Podemos parar de sofrer com o pensamento do outro e usá-lo em nosso benefício para crescer.

5. Fazemos o que podemos para não assumir a culpa

Se você tem um casal de amigos em que ambos são muito próximos a você, é possível que já tenha escutado duas versões de uma mesma briga. O narrador é peça fundamental no momento de contar uma história: ele possui crenças, convicções e uma imagem a zelar. Não existe pessoa imparcial, porque estamos impregnados da nossa história de vida. É natural que nos defendamos quando necessário.

Às vezes foi a gente que pisou na bola, mas criamos toda uma narrativa que explica o que aconteceu antes do que nos levou a pisar na bola. Colocamos uma culpa anterior em alguém ou em alguma coisa de forma a justificar o que nós fizemos. Muitas vezes, não assumimos responsabilidade por coisas que nós mesmos temos o poder de melhorar. Por exemplo: se eu acho que o pessoal do trabalho não conversa comigo porque eu devo ser chato ou porque eles são chatos – ou uma mistura disso –, mas eu não tomo iniciativa de falar com eles, a responsabilidade por termos uma relação distante é minha. Se eu tentar me aproximar e isso não der certo, já posso dizer que tentei e que a responsabilidade não é mais minha.

Agora que já falamos sobre o quanto atribuímos aos outros esses cinco fatores, que na verdade podem ser voltados para nós mesmos, queria compartilhar com vocês duas formas que eu acredito que podem nos ajudar a não criarmos um inferno dentro da nossa própria pele.

Duas formas para combater as questões acima:

1. Sempre se pergunte o porquê

Faça o esforço de tentar entender as situações com mais clareza. “Por quê?” é uma pergunta que cabe em quase todas as situações. Veja bem:

– Por que estão pensando alguma coisa de mim?

– Por que estou preocupado com o que estão pensando de mim?

– Por que eu acho que vão acreditar ___________ sobre mim?

– Por que eu mesmo penso que sou ___________?

– Por que estou resistente a essa crítica que recebi?

– Por que estou colocando a responsabilidade de ___________ em fulano? Será que eu tenho alguma responsabilidade nisso?

Colocar uma lupa em cima das situações que você vive vai te gerar informações. Com elas você poderá fazer algo a respeito para melhorar a sua vida.

2. Sinta mais amor por você mesmo

O caminho mais rápido para não se preocupar tanto com a opinião dos outros é criar uma opinião sua melhor sobre você mesmo. Em vez de ficar acreditando em coisas ruins e de dar importância elevada demais aos seus “defeitos”, dê enfoque nas suas qualidades e trabalhe nos seus pontos fracos para se sentir melhor, isto é, fortaleça a sua autoestima e sua autoconfiança. Tente levar um estilo de vida honesto consigo mesmo em que você possa estar próximo das pessoas e coisas que gosta.

Para concluir, apenas mais algumas palavras. Nesse texto eu quis abordar que muitas vezes pensamos que o problema está nos outros, no olhar deles, nas críticas, nas fofocas. O movimento que eu estimulei que você faça é o contrário: voltar para dentro, em vez de acreditar que o problema está lá fora. Se você está suscetível ao pensamento dos outros, é um sinal de que precisa fortalecer algumas coisas sobre si mesmo. Voltar-se para dentro é uma forma de ter controle sobre a situação para melhorar a sua vida e ser mais feliz. Se você vive em meio a pessoas fofoqueiras, tóxicas, negativas e que desejam o mal para os outros, a primeira coisa é criar um escudo contra essas influências e a segunda é rever as suas relações. Torne-se responsável por construir o seu pedacinho de céu.

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CrônicaReflexão

Tempos estúpidos

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A internet criou merdas que não imaginávamos em 1996. Estou longe de ser saudosista, pois no meio da década de 90 a gente não tinha serviços de streaming ou visitas virtuais a museus. Temos a Netflix hoje em dia, ok. Ponto para a atualidade. Em contrapartida, vinte anos pra trás, ninguém ficava doente por não ter uma carta ou e-mail respondidos de forma instantânea. A probabilidade de você ter uma conhecida vítima de revenge porn no final do século passado era, sei lá, a mesma de ganhar na Mega.

Mas talvez eu seja injusto ao dizer que a internet criou as merdas. A coisa toda poderia muito bem estar incubada, só esperando as condições ideais para a maturação, aí inventaram o www, o 5G e a banda larga e pronto: risquinho azul no WhatsApp, revenge porn e seu primo no terceiro período de administração dando pitacos — e com desenvoltura de especialista — sobre crise sanitária, desenvolvimento de vacinas e política internacional. Que desgraça.

O comentarista de tudo é um cu dentro do outro. Um porre. As redes sociais, em resumo, criaram novos chatos e evoluíram os antigos pés no saco. Estão todos em um fã-clube. Entretanto a maior desgraça dos últimos anos e aflorada pelas redes sociais, para mim, foi a seguinte:

Descobrir que vocês descobriram amigos, pais e primas fãs de políticos, desses que demonizam qualquer um que pareça fazer parte do fã-clube oposto, que cortaram relações e espumaram impropérios que com certeza não deveriam ter espumado caso receassem um arrependimento, e agora que o tal arrependimento chegou, não dão o braço a torcer. E tudo catalisado por esse espacinho virtual aqui, repletos deles, os fã-clubes.

Que bela, mas que belíssima desgraça para se viver.

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CrônicaReflexão

O povo do ué

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Equivoquei-me. Fiz a piadinha sobre trocar o “Ordem e Progresso” em nossa bandeira para um “Nós é muito loko”. Equívoco. Isso lááá atrás, com Temer no poder. E é bom assumir nossos erros assim, nossas pedaladas além do limite do razoável. Até pensei em forçar mais a piada, já que Bolsonaro escolheu um “Pátria amada Brasil”, mas vive repetindo o “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Há três anos eu pensei: “ah, já que tirou o slogan da bandeira, bota o meu ‘Nós é muito loko’ lá por enquanto”. Mas é bobagem. Nós não somos loucos. Estamos mais para embasbacados confusos. Talvez tenhamos nos transformado no povo do ué.

Quantas vezes fomos conectar qualquer dispositivo USB e logo de cara não conseguimos? “Ah, deve estar invertido”. Aí, felizões, viramos o cabo do troço e tentamos de novo. Não encaixa. Voltamos para posição inicial e voilà: a porcaria conecta numa facilidade indecente. “Ué”. Essa é a nossa reação, a nossa cara. “Ué”. Ou quando chegamos num ponto de ônibus — em BH temos uma estimativa eletrônica de tempo de chegada em alguns — e vemos que o nosso Pégaso querido e veloz está com status de “3302 – 3 min aproximadamente” e em breve nos levará para casa. “3302 – 1 min aproximadamente”. Você até arrisca o desejo de ir sentado. “3302 – Aproximando”. Finalmente. “3302 – 20 min aproximadamente”. “Ué”. Muitos xingamentos, mas o balão de pensamento é o mesmo: “Ué”.

Os últimos anos, creio, sacramentaram a ideia de que somos o povo do ué. Escolha sua rede social. O Instagram, o Twitter, o WhatsApp. Não importa. Todas elas serviram e acredito que vão continuar a servir para pacificar o que estou dizendo. Vejam bem. Relembrem o tênis de mesa político. “Ué, não era uma manifestação apartidária? O que estes políticos estão fazendo aí, nos ombros dos manifestantes?”. “Ué, a presidente não era a favor da democracia? O que ela está fazendo apoiando ditadores africanos?”. “Ué, a velha política, a mamata não tinha acabado? Por que Bolsonaro está negociando com o Centrão para salvar a própria pele?”.

Convenhamos, é a velha e feia mania do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Taca um “Ué” bem legal nessa bandeira. Esqueçamos qualquer ordem ou progresso. Bora tatuar um monte de “Ué” em pulsos, nucas e cristas de ilíacos. Nós somos o povinho do ué.

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Reflexão

Por que falar de empatia quando todo mundo está falando de coronavírus?

tetetete

Quando a gente fala de um vírus com uma transmissibilidade tão grande, a primeira coisa que temos que falar é sobre empatia. Vou explicar meus motivos ao longo dessa conversa.

Em primeiro lugar, podemos pensar que não estamos no grupo de risco e por isso precisamos de menos cuidados. Eu, particularmente, sei que não estou pela minha idade e condições gerais de saúde. Mas me acompanha aqui:

  • Mesmo quando não estamos no grupo de risco de desenvolver sintomas muito graves, há uma chance de sermos assintomáticos para a doença COVID-19 ou de termos sintomas leves, mas ainda assim, podemos passar o vírus adiante. E aí não temos controle: podemos passar para pessoas que podem ter sérias complicações e até mesmo virem a óbito;
  • A doença não é tão fatal, já estamos cansados de ver que a taxa de mortalidade é baixa, enquanto percentual. Porém, quanto mais pessoas infectadas, mais pessoas (em um número bruto) irão morrer. Só faça essa conta mentalmente para ter um exemplo: 5% de 100 e 5% de 100.000;
  • Se há uma quantidade enorme de pessoas doentes, teremos consequentemente uma quantidade maior de pessoas precisando de cuidados intensivos e não haverá leitos para todos. Inclusive, pessoas que nem estão infectadas com o novo coronavírus podem vir a óbito, porque os serviços de saúde estão tão sobrecarregados que não será possível atender a demanda e salvar a vida de todos.

Então, empatia basicamente é:

Se você não vai se dar mal com a doença ou se a chance disso  acontecer com você é pequena, pense em quem não está na mesma situação de privilégio!

Por isso, aja com consciência de coletividade, evite ser um vetor e sair por aí transmitindo para outras pessoas. Seja responsável pelas suas ações.

Já sabemos que a transmissão se dá por contato direto ou indireto com saliva, catarro ou secreções de pessoas contaminadas. Dessa maneira, para se prevenir, você precisa tomar alguns cuidados simples, mas que salvam vidas:

  • Lavar as mãos corretamente, com água e sabão, sempre que possível;
  • Na falta de possibilidade de lavar as mãos, você pode usar álcool gel 70;
  • Não abraçar, beijar ou tocar as pessoas na hora de se cumprimentar ou se despedir;
  • Manter pelo menos 1 metro de distância entre você e qualquer pessoa que esteja tossindo ou espirrando;
  • É um ato involuntário, mas quando estiver se lembrando disso, não toque seu rosto, olhos, nariz e boca. Como é um ato involuntário, lavar as mãos continua sendo a medida de prevenção número 1;
  • Se for tossir ou espirrar, cubra a sua boca com a parte interna do cotovelo ou com um lenço. Depois, descarte imediatamente esse lenço de forma correta;
  • Mantenha janelas abertas e os ambientes ventilados;
  • Fique em casa se não estiver se sentindo bem. Aliás, só saia se realmente for imprescindível, nesse momento a grande maioria dos compromissos podem esperar;
  • Evite viagens por agora que não sejam essenciais;
  • Evite aglomerações de pessoas.

É sempre válido lembrar que máscara é para quem está doente — ou seja, para que o doente evite o contágio de outras pessoas — e para cuidadores desse doente e profissionais de saúde que estão em contato direto com os enfermos e que precisam se proteger para continuarem cuidando de todos. Se você compra um monte de máscaras — e nem precisa usá-las! — vai faltar para quem realmente precisa.

Olha só, mais uma vez estamos falando de empatia: se você exagerar na compra de máscaras, álcool gel, papel higiênico (eu juro que ainda não entendi a lógica de quem está se entupindo de papel higiênico) ou artigos alimentícios, vai faltar para outras pessoas! E pior: vai faltar para quem está financeiramente mais vulnerável, que ainda não recebeu o salário e não pôde comprar nada. Quando essas pessoas chegarem aos supermercados, há uma chance de que tudo esteja mais caro, já que tudo estará mais escasso.

Se todo mundo se responsabilizar pelos próprios atos, podemos diminuir o contágio. Daí a importância da empatia em um momento desses! Cuide de si mesmo cuidando dos outros ao mesmo tempo, dá para fazer isso sim.

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CrônicaReflexão

Um raciocínio simples

jijijijjijij

O raciocínio é simples:

O fato de alguém ser homossexual, preto, judeu, kardecista, mulher, índio, branco, favelado, católico, gordo, soropositivo, homem, evangélico, magro, gago e por aí vai, não deveria ser motivo de zoação. Só que quando misturam qualquer tipo de atitude idiota com futebol, o cérebro de algumas pessoas dá uma bugada. Vêm com “ah, mas é só brincadeira”, ou “cê tá de mimimi porque o seu time perdeu kkk chupa”. Chupar o quê, gente? Um pênis imaginário? Daí isso te daria mais uma razão para me zoar, já que supostamente eu deveria ser hétero e católico?

Pois quando os goleiros vão cobrar o tiro de meta, as torcidas do meu time e do seu time gritam é BICHA, não gritam PAI DE FAMÍLIA ou ESTUDANTE DE MEDICINA. E olha que seriam duas grandes zoações.

Outro raciocínio simples: por que é engraçado chamar um homem de mulher quando o assunto é futebol? Ou insinuar que ele seja homossexual? Por que isso ainda é troça hoje em dia enquanto todo mundo (quase todo mundo) enlouquece quando jogam bananas para jogadores brasileiros na Europa? Não é tudo brincadeira e futebol?

Pois é.

Se você que chama tudo de brincadeira ainda está lendo isso daqui, já deve ter pulado para o argumento do “eu me conheço, eu sou uma pessoa boa e quem me conhece sabe bem como sou, minha mãe é mulher e cruzeirense/atleticana e aceita tudo numa boa”.

Colocando a mãe no meio

Ok, então vamos colocar sua mãe no meio.

Porque na hora que o filho ou filha dela sofreu bullying na escola — já que lá qualquer tipo de segregação ganha esse nome —, a coisa mudou completamente de figura. Quando o filho dela foi zoado por ser preto pelas colegas de sete anos de idade, tudo ficou diferente. Quando a filha recebeu bilhetes anônimos horrorosos por ser lésbica, ou teve o nome rabiscado no banheiro por ter beijado fulano de tal, o mundo da sua mãe caiu. É possível que depois de cada situação dessas sua mãe tenha escutado dos outros pais e da própria escola que providências seriam tomadas, só que tudo não passou de uma brincadeira. Isso rola bastante.

Pergunta pra ela se foi legal participar da tal brincadeira.

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Reflexão

Mr. Sandman, bring me a dream

jijij

Às vezes sonho comigo. Nesses sonhos eu posso ver e falar com aquele espectro de mim mesmo. O que refuta a teoria — se é que há mesmo uma teoria — de que não podemos ver nossos rostos nos sonhos. Sei lá. Talvez seja uma coisa um pouco rara, isso eu posso aceitar. Mas podemos sim. Acho que podemos fazer qualquer coisa quando sonhamos.

Há uma outra teoria — se é que há uma teoria — de que só podemos ver coisas que já vimos quando sonhamos. Bem, então ela também refuta a supracitada, porque todos nós vemos nossos reflexos em espelhos. Todavia também não gosto muito dessa, porque nunca vi muita coisa que já sonhei. Posso ter imaginado essas coisas, isso eu posso aceitar com algum esforço.

Hoje tive um desses sonhos. Hoje sonhei comigo mesmo. Estávamos, eu e eu, sentados em cadeiras que talvez tenhamos visto em filmes sobre o Brasil colonial. A sala parecia-se bem com salas que aparecem em filmes sobre o Brasil colonial. Talvez um gabinete, talvez alguns quadros ou uma escrivaninha. Um tapete verde-esmeralda velho sob nossos pés. As cadeiras dispostas de maneira que não nos encarássemos, mas que dessem a impressão de que falar sobre coisas importantes seria necessariamente a única coisa a se fazer. Vestíamos ternos ingleses cinzas, no entanto ele, o espectro, tinha um lenço vermelho estiloso que eu não tinha colocado em um dos bolsos do casaco. Também usávamos coletes. Estávamos elegantes.

Um silêncio pesado no ar. Parecia que ponderávamos várias coisas, ou pelo menos eu também devia estar ponderando. Então o espectro olhou para mim e quase não suportei aquilo. Não tínhamos os mesmos olhos.

— Todos têm um projeto, Marcos — disse o espectro — Eu tenho preguiça, muita, mas muita preguiça. E você?

Aí acordei com a Mentira, minha cachorra, lambendo meu pé direito.

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