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Reflexão

O tsunami que nunca vai chegar

Para mim, escrever é um parto. Você fica naquela ansiedade de pensar em um tema que seja interessante para você e para o leitor, em como deixar a sua escrita clara e objetiva e, é claro, fica atento à gramática, pois não quer que o seu texto esteja repleto de erros. O fato de juntar as palavras em algo que faça sentido não é simples.

Este texto que você está lendo, por exemplo. Demorei bastante para começar a escrevê-lo. Fiquei dias na dúvida sobre o que escrever. Procrastinava pensando em coisas como “o que eu vou escrever?” ou “eu nem sei escrever direito!”. Pois bem, eis que um dia depois de muito protelar, me sento em frente ao computador.

Começo a digitar, mas paro para pensar que vai ser difícil, porque sempre chega um momento da escrita em que não sei mais que caminho seguir. Fico impaciente. Coço o olho, o rosto, os braços. Frustrada, decido fazer outra coisa que não seja enfrentar a dificuldade de raciocinar sobre o que escrever em seguida. Meia hora depois eu volto, porque existe um prazo para entregar e não posso demorar mais. Em seguida eu penso que, de qualquer jeito, o texto vai ficar horrível mesmo e ninguém vai gostar. “Por que eu vou insistir? Vou acabar é baixando a qualidade de conteúdo do blog que mal começou”.

O mal-estar é tanto que continuar chega a ser doloroso. Ao mesmo tempo em que quero terminar logo como num passe de mágica, sei que para chegar ao meu objetivo eu preciso simplesmente sentar e escrever. Não tem outro caminho a não ser passar pelo processo. Esse turbilhão de pensamentos e incertezas na escrita de um texto despretensioso é só mais um dos infinitos exemplos de como a ansiedade exacerbada funciona de um jeito maluco nas pessoas.

Vivendo do Futuro

A ansiedade provoca sentimentos que te aceleram ao ponto de te paralisar. Algo que é bem estranho, se você parar para pensar. Mas isso tem uma explicação biológica.

De acordo com essa reportagem do Huffpost, um estudo da revista Current Biology afirma que ansiosos percebem o mundo de uma maneira diferente de outras pessoas que não sofrem do distúrbio, devido a variações no cérebro.

O cérebro tem a capacidade de se reorganizar e formar novas conexões que ditam como a pessoa responde a estímulos. As pessoas que sofrem de ansiedade têm um estímulo mais duradouro depois de uma experiência emocional. Isso significa que as pessoas ansiosas tendem a generalizar demais as experiências emocionais, sejam elas ameaçadoras ou não.

Por isso, nós ansiosos temos uma espécie de mecanismo de antecipação do futuro, uma forma de nos protegermos de um provável grande problema. Temos a tendência de sempre esperar pelo pior cenário. Como um tsunami. Mas a questão é que ele nunca chega. É o nosso inferno particular.

Voltando para o presente

Por causa da ansiedade já perdi amigos, já perdi empregos e já perdi inúmeras oportunidades. A questão é enfrentar o leão de cada dia. Nem sempre dá certo, é claro. Muitas vezes você chuta o balde, as pessoas não têm empatia e você se torna um Jimmy-Bolha da vida real.

Se você sofre dessa síndrome, saiba que você precisa de ajuda. E tudo bem. Existem inúmeras alternativas que auxiliam a lidar com a ansiedade, como terapia, remédios, exercícios físicos, hobbies etc. O importante é que você dê o primeiro passo para buscar uma vida melhor e com mais qualidade. Eu estou tentando, afinal você está aqui lendo o final desse texto, não é mesmo?

Tags : ajudaansiedadeescritafuturopresentesindrome

The author Marcella Oliveira

Formada em Publicidade, Marcella caiu de paraquedas no Jornalismo e acabou se apaixonando por ouvir e contar histórias. É uma seriadora assídua e uma gamer de araque (prefere assistir a jogar). Almeja dar a volta ao mundo, mas antes quer desbravar esse "Brasilzão de meu Deus".