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Reflexão

Por que falar de empatia quando todo mundo está falando de coronavírus?

Quando a gente fala de um vírus com uma transmissibilidade tão grande, a primeira coisa que temos que falar é sobre empatia. Vou explicar meus motivos ao longo dessa conversa.

Em primeiro lugar, podemos pensar que não estamos no grupo de risco e por isso precisamos de menos cuidados. Eu, particularmente, sei que não estou pela minha idade e condições gerais de saúde. Mas me acompanha aqui:

  • Mesmo quando não estamos no grupo de risco de desenvolver sintomas muito graves, há uma chance de sermos assintomáticos para a doença COVID-19 ou de termos sintomas leves, mas ainda assim, podemos passar o vírus adiante. E aí não temos controle: podemos passar para pessoas que podem ter sérias complicações e até mesmo virem a óbito;
  • A doença não é tão fatal, já estamos cansados de ver que a taxa de mortalidade é baixa, enquanto percentual. Porém, quanto mais pessoas infectadas, mais pessoas (em um número bruto) irão morrer. Só faça essa conta mentalmente para ter um exemplo: 5% de 100 e 5% de 100.000;
  • Se há uma quantidade enorme de pessoas doentes, teremos consequentemente uma quantidade maior de pessoas precisando de cuidados intensivos e não haverá leitos para todos. Inclusive, pessoas que nem estão infectadas com o novo coronavírus podem vir a óbito, porque os serviços de saúde estão tão sobrecarregados que não será possível atender a demanda e salvar a vida de todos.

Então, empatia basicamente é:

Se você não vai se dar mal com a doença ou se a chance disso  acontecer com você é pequena, pense em quem não está na mesma situação de privilégio!

Por isso, aja com consciência de coletividade, evite ser um vetor e sair por aí transmitindo para outras pessoas. Seja responsável pelas suas ações.

Já sabemos que a transmissão se dá por contato direto ou indireto com saliva, catarro ou secreções de pessoas contaminadas. Dessa maneira, para se prevenir, você precisa tomar alguns cuidados simples, mas que salvam vidas:

  • Lavar as mãos corretamente, com água e sabão, sempre que possível;
  • Na falta de possibilidade de lavar as mãos, você pode usar álcool gel 70;
  • Não abraçar, beijar ou tocar as pessoas na hora de se cumprimentar ou se despedir;
  • Manter pelo menos 1 metro de distância entre você e qualquer pessoa que esteja tossindo ou espirrando;
  • É um ato involuntário, mas quando estiver se lembrando disso, não toque seu rosto, olhos, nariz e boca. Como é um ato involuntário, lavar as mãos continua sendo a medida de prevenção número 1;
  • Se for tossir ou espirrar, cubra a sua boca com a parte interna do cotovelo ou com um lenço. Depois, descarte imediatamente esse lenço de forma correta;
  • Mantenha janelas abertas e os ambientes ventilados;
  • Fique em casa se não estiver se sentindo bem. Aliás, só saia se realmente for imprescindível, nesse momento a grande maioria dos compromissos podem esperar;
  • Evite viagens por agora que não sejam essenciais;
  • Evite aglomerações de pessoas.

É sempre válido lembrar que máscara é para quem está doente — ou seja, para que o doente evite o contágio de outras pessoas — e para cuidadores desse doente e profissionais de saúde que estão em contato direto com os enfermos e que precisam se proteger para continuarem cuidando de todos. Se você compra um monte de máscaras — e nem precisa usá-las! — vai faltar para quem realmente precisa.

Olha só, mais uma vez estamos falando de empatia: se você exagerar na compra de máscaras, álcool gel, papel higiênico (eu juro que ainda não entendi a lógica de quem está se entupindo de papel higiênico) ou artigos alimentícios, vai faltar para outras pessoas! E pior: vai faltar para quem está financeiramente mais vulnerável, que ainda não recebeu o salário e não pôde comprar nada. Quando essas pessoas chegarem aos supermercados, há uma chance de que tudo esteja mais caro, já que tudo estará mais escasso.

Se todo mundo se responsabilizar pelos próprios atos, podemos diminuir o contágio. Daí a importância da empatia em um momento desses! Cuide de si mesmo cuidando dos outros ao mesmo tempo, dá para fazer isso sim.

Tags : corona vírusempatiapandemiareflexãosociedade

The author Débora Lopes

A profissão oficial é psicóloga, mas faz um monte de coisas. Devoradora de livros, maratonista de seriados, mãe de cachorro... Débora é uma jovem idosa que jamais recusa um café com os amigos. Ama viajar, especialmente para lugares frios.