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Reflexão

O jeito bom de se importar com a opinião dos outros

A ideia desse texto surgiu na minha recente viagem ao Peru quando passei por pequenos desconfortos causados por outras pessoas. Ao mesmo tempo, pude observar que uma parcela do meu comportamento é direcionada a (tentar) não causar problemas para outrem. E isso vai muito além daquele medo da opinião dos outros.

Confesso que o título do texto foi propositalmente colocado como está para chamar mais a sua atenção. Digo isso porque vou falar mais sobre importar-se com os outros do que propriamente com a opinião deles. Desculpe, mas eu precisava te convidar para essa leitura!

Importar-se com a opinião dos outros é, em última instância, egoísta

Eu já falei sobre a importância de se tratar como prioridade e esmiucei os impactos de estar todo o tempo preocupado com o que os outros vão pensar. Apresentei para vocês meus dois grandes estalos sobre esse assunto:

  • Não se pode agradar a todo mundo e
  • Não requer esforço se você agrada a alguns naturalmente.

Uma coisa que eu ainda não tinha contado é que cheguei à conclusão de que se importar com a opinião dos outros é egoísta. “Mas Débora, como assim? Se eu estou preocupado em agradar como isso seria egoísta?”. Vamos lá:

  1. Estou preocupada com o que vão pensar de mim;
  2. Faço as coisas — ou pelo menos tento fazer — de uma forma que possibilite agradar aos outros;
  3. Quando agrado, provavelmente provoco no outro a reação de “nossa, a Débora é tão legal” (ou algo similar a isso).

Sejamos honestos: você está mais preocupado consigo mesmo. Isso é egoísmo. Calma que nem todo egoísmo é ruim (embora eu ache que esse é péssimo, por ser velado e no final das contas te atrapalha infinitamente mais do que te ajuda). Quer o exemplo de um bom egoísmo? Fazer o que combina mais com você e que vai te fazer bem, desde que isso não traga consequências negativas graves sobre outra(s) pessoa(s). Em tempo: o outro ficar com raivinha de você não é uma consequência negativa grave para ele! Nem deveria ser para você.

Importar-se verdadeiramente com os outros

Esse é o jeito bom! Agora vou voltar ao ponto que trouxe esse texto à tona: minhas experiências na viagem ao Peru — mas também vou acrescentar de outros momentos.

Quando estávamos em viagem — eu e a Marcella, que também escreve aqui — percebi uma grande preocupação minha em não atrapalhar os outros. Estávamos prontas no horário que supostamente a van iria nos buscar; voltávamos para o ponto de encontro sempre alguns minutinhos antes do horário marcado; prestava atenção se não tinha deixado lixo dentro do veículo, nas mesas etc.; não conversava muito alto, porque sempre tem alguém dormindo e por aí vai.

Em contrapartida, observei esses descuidos dos outros: turistas que voltavam para a van na hora que bem entendiam, atrasavam o circuito e provocavam que tivéssemos uma permanência menor no próximo ponto visitado; no avião, um homem achou que tudo bem dormir encostado na traseira da minha poltrona, jogando todo o peso dele sobre as minhas costas; na viagem de trem, uma mulher resolveu cruzar as pernas e me chutar diversas vezes enquanto pedia desculpas, mas não alterava o comportamento.

Vou dar mais exemplos, sou cheia deles. Em qualquer viagem que tenha feito, pessoas que entram na frente da minha foto ou que não saem nunca e não permitem espaço para que em algum momento eu e outras pessoas possam fotografar. Um vizinho que tocava bateria à noite e fazia o batuque reverberar no meu teto, embora tocasse a bateria com fones de ouvido. Uma república logo acima do meu apartamento que fazia festas de madrugada. Gente que conversa pelo celular no cinema. Gente que fala alto em qualquer lugar. Gente que não arreda para o fundo do ônibus, impedindo que mais pessoas entrem. Gente que não devolve troco errado que veio a mais. Em suma: pessoas que agem como se elas fossem as únicas que existissem no mundo.

Não quero de forma alguma dizer que eu sou perfeita e sempre antenada para não incomodar os outros. Nós sempre temos a chance e provavelmente a agarramos em alguns momentos de ser o incômodo de alguém. Mas acredito na importância de fazer o esforço empático de se lembrar do fato de que existem outras pessoas ao nosso redor.

Sobre os exemplos que eu dei, pedi para cessarem o incômodo que me causavam ou demonstrei isso com expressões de desagrado — e sim, tem gente que fica sem graça e para e tem aquele que intensifica só pra te encher o saco. Meu ponto é: essas pessoas não deveriam me tratar bem para evitar que eu pensasse mal delas — porque eu pensei! Elas deveriam me tratar bem pois é assim que tratamos uns aos outros. Digo e repito: o melhor jeito é se importar verdadeiramente com o outro. Ser empático. Isso sim é altruísmo.

Tags : altruísmoegoísmoopinião dos outrospreocupar-se com os outrossociedadevida em sociedade
Débora Lopes

The author Débora Lopes

A profissão oficial é psicóloga, mas faz um monte de coisas. Devoradora de livros, maratonista de seriados, mãe de cachorro... Débora é uma jovem idosa que jamais recusa um café com os amigos. Ama viajar, especialmente para lugares frios.