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Reflexão

A melhor companhia que tenho é a minha

Observo com grande frequência o incômodo das pessoas ao se perceberem sozinhas. Ao passarem um sábado à noite em casa ou ao não terem com quem almoçar, por exemplo. Já estive nesse grupo quando era mais nova, mas com o passar do tempo aprendi a apreciar a minha própria companhia e descobri que isso é a melhor coisa que podemos fazer.

Desespero para achar companhia

Quando você se desespera para achar uma companhia, potencialmente conseguirá uma ruim. Alguém que não se encaixa bem com o que você precisa de verdade. Porque o que está em jogo nesse caso não é a qualidade da companhia, mas ter uma. Quem quer que seja. Quem aparecer primeiro ou quem topar.

Tenho percebido muitas pessoas descrevendo encontros malsucedidos do Tinder (não vou entrar no mérito nesse post, mas há várias formas malsucedidas diferentes) nas sessões lá no consultório. O principal motivo — claro que existem outros, comportamento humano sempre é multifatorial — é aquela ideia de “não tem tu, vai tu mesmo“. É fundamental trocar o artigo indefinido — ter uma companhia — para o artigo definido: ter a companhia. Para isso, você precisa primeiro estar bem consigo mesmo. Depois, saber o que quer. Por fim, buscar o que você quer e ser paciente na jornada.

“Antes só do que mal acompanhado”

Isso me traz ao famigerado ditado popular brasileiro “antes só do que mal acompanhado”. Tomei como verdade na minha vida, o que me faz ser bastante seletiva sobre as pessoas que vou manter perto de mim. Uma frase de Nietzsche complementa essa mesma ideia:

Não me roube a solidão sem antes oferecer a verdadeira companhia

Friedrich Nietzsche

A interpretação pessoal que dei para essa frase é quase como uma filosofia de vida para mim: estarei na companhia de alguém se isso for, de alguma forma e qualquer que seja ela, interessante. Não estou sendo utilitarista nem interesseira. O que eu quero dizer com interessante para mim é que faz sentido estar com alguém se isso nos possibilitar algum tipo de troca. Quero estar com alguém quando isso for divertido, quando pudermos nos ajudar, quando tivermos conversas instigantes e por aí vai.

O prazer de estar na minha própria companhia

Não sendo assim, desculpe, eu prefiro estar na minha própria companhia. É a troca do termo solidão, que vem com aquela carga pesada, com aquela cor cinza escura, pelo termo solitude, que chega leve e eu enxergo como amarelo brilhante. O Marcos Marciano falou um pouco de solitude e introversão neste post aqui no Prisma.

Eu acho uma delícia poder decidir o que vou fazer com o meu próprio tempo! Se vou pesquisar alguma coisa, assistir a um seriado ou a um filme em casa, ir ao cinema, ler um livro, resolver algo na rua ou até mesmo, viajar sozinha. Quando se chega a essa descoberta de que você é a melhor companhia que poderia ter, um novo mundo de liberdade se abre.

Isso quer dizer que eu não gosto das pessoas?

Não. Significa que meus contatos sociais são ainda mais significativos. Eu não estou com as pessoas por estar desesperada, porque preciso delas. Estou com as pessoas porque isso é bom e quando é bom.

Quando estamos bem conosco, tudo funciona melhor. Especialmente a relação com outras pessoas. Você deixa de fazer por obrigação e passa a fazer por vontade. Não consigo imaginar nada mais livre e que traga mais leveza do que isso! Experimente!

The author Débora Lopes

A profissão oficial é psicóloga, mas faz um monte de coisas. Devoradora de livros, maratonista de seriados, mãe de cachorro... Débora é uma jovem idosa que jamais recusa um café com os amigos. Ama viajar, especialmente para lugares frios.